quinta-feira, 31 de julho de 2014

tu não sabe quanto me machuca esse teu ciúme desenfreado.
tu não sabe que na minha cabeça eu quebro os vidros e espelhos da casa, eu desmancho os guarda-roupas com um machado.
tu não sabe que meu peito se revolta em fúria com a injustiça do teu amor.

e meu corpo tem que existir como nada se passasse.
mesmos olhos inchados e marejados de sempre.
chorando a noite e se escondendo de dia, como bicho de toca.
justo eu, que tantas vezes me cri nascida para voar acima de todos.

fingir que não me sinto assim.
que sou algo que não sou.
é claro que posso fazê-lo.


esse é mais um dia normal.

domingo, 25 de maio de 2014

um dia que não virá

Ela nunca vai me entender. Ela nunca mais vai me amar, nunca mais vai me querer. Confiar em mim? Acreditar em mim? Jamais.
Mas ao menos através daqui ela vai saber que chorei por ela o tanto que podia, a cada momento que ficava a sós... E chorei quando não podia também.
Ela vai saber que mudou toda a minha vida. Que não consigo mais ser feliz e não chorar em nenhuma sexta de manhã. Vai saber pelos nossos colegas em comum o quanto me preocupou que sumisse...

As últimas palavras dela foram sobre eu não me importar mais com ela. A maior inverdade que poderia ter dito sobre mim...
Já namorei muitas vezes antes, mas nunca desse jeito. E também nunca terminou assim. Nunca pensei que fosse possível terminar um namoro por amor... E ser tão verdadeiro esse amor a ponto de eu não conseguir deixar nenhum ponto da minha vida intocada.

Vou a faculdade, onde estive com ela em todos os lugares que já fui.
Vou ao restaurante, ao estágio, à banquinha de comidas, à escadaria, à balada, ao bar, à minha cama... E ali estava ela ao meu lado.
Foi como quando perdi a Chris pra sempre. Será que eu também te perdi pra sempre?

E sei que, fatalmente, estar com uma mulher não será 1% do que era estar com ela...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

penteadeira

meu pensamento se alonga em você
como um pente que de pentear longos cabelos
se finda numa contemplação distante.

primeiro as raízes
então a curva brilhante
para as pontas macias.

peço que sente-se junto a mim
e me deixe fazer a trança
qu'enlaça
nossas vidas.
eu não podia te dar nada
senão
meu peito em chamas.

obsceno

vontade de gritar ao mundo nosso amor
essa frase inaudível
esse sentimento obsceno.

correrei léguas pelo seu corpo
por caminhos inauditos
por um grito de paixão maldito
e que peça por mais.

bendita sois vós
que gemei em meu ouvido
que arranhai a minha carne
e desfazei a minha cama.

reservo-lhe um beijo quente e terno
macio como uma nuvem
no lugar que lhe cuido ao céu.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sussurro

Dois belos olhos que me hipnotizam. Sobrancelhas e bocas perfeitas. Já desenhei a linha do busto sobre a blusa. O celular sempre na mão, mil toques na tela. Não é romântica, não pede pelo MEU toque, mas como eu quero. Beijo seu pescoço até sem querer: ele me chama. É um caminho natural, assim como ir até onde suas pernas se encontram. E se ela me chama pra ir, eu vou. Vou e adestro meus sentidos para não deixá-la perplexa, atordoada. Vou devagarinho. Passando a língua atrás dos dentes, com desejo, sedenta. Se mostro essas anotações, ela sorri secretamente e segue a vida. E mostrarei, para que não pense que só me calo perto dela. Deixo por aí, como o perfume que eu passo com cuidado pra ela me querer.